Cerveja na moringa: Birra Del Borgo Etrusca Terracota


A cervejaria Wäls anunciou recentemente a compra de ânforas de terracota, que nada mais são que 'moringas' tamanho família.



Terracota é o nome de um tipo de cerâmica: é um material constituído por argila cozida no forno, sem ser vidrada, e é utilizada em cerâmica e construção. O termo também se refere a objetos feitos deste material e à sua cor natural, laranja acastanhado. A terracota caracteriza-se pela queima em torno dos 900 °C, apresentando baixa resistência mecânica e alta porosidade, necessitando um acabamento com camada vítrea para torná-la impermeável. É rica em óxido de ferro, normalmente utilizada na confecção de tijolos, telhas, vasos, entre outros objetos.

A Wäls irá utilizar as ânforas para maturar/ envelhecer as suas criações cervejeiras.

Após ver essa notícia, fui à caça de alguma cerveja maturada em terracota e encontrei a Birra Etrusca Terracota, da cervejaria Italiana Del Borgo.


Essa cerveja faz parte de um experimento de três cervejarias, a Dogfish Head, a Birra Del Borgo e a Baladin. Cada cervejaria utilizou um tipo de recipiente para maturação: Dogfish Head utilizou tanques de bronze, Baladin, barris de carvalho, e Birra del Borgo, vasos de terracota.Clique aqui e veja o vídeo explicativo.

A Etrusca leva em sua composição além dos ingredientes usuais trigo italiano, uva, romã, mel de castanha italiano, avelãs e gentiana, que é uma flor italiana de onde eles utilizaram as raízes para colaborar com o amargor. Os ingredientes foram escolhidos de acordo com inscrições dos Etruscos, e foi tentado reproduzir como seria o sabor de cerveja antiga.

As leveduras utilizadas foram obtidas no próprio terroir italiano, com ajuda do pesquisador arquiologista molecular Dr. Pat Macgovern, que também pesquisou tumbas etruscas de 2800 anos para descobrir os ingredientes que inspiraram a receita dessa cerveja.


Degustei a versão 2013, com 9,3 % ABV. A avaliação dessa cerveja de receita milenar é a seguinte:

Aparência: âmbar claro, tendendo para cor de mel, pouca espuma, sem persistência.
Aroma: maçã verde, cítrico resinoso, estábulo, mel de larangeiras sutil.
Na boca, uma explosão equilibrada 'tart' e 'funky': uvas verdes, couro, suave cobertor de cavalo, magistralmente terminando com um final seco e elegante. E ainda sobra um gostinho terroso no retrogosto. Os 9,3% ABV parecem piada, estão muito escondidos e são virtualmente imperceptíveis, a não ser pelo aquecimento final. Uma cerveja sensacional, mas é para quem aprecia ter suas papilas gustativas viradas do avesso pela acidez.

Não havia lido nenhuma avaliação antes para não me influenciar, e fui degustar essa cerveja achando que seria demasiadamente doce, pois a fórmula original não levava lúpulo. Contudo, é uma sour! se os antigos bebiam dessa cerveja, eles já sabiam das coisas, pois sour é um tipo de cerveja bastante em voga atualmente nos Estados Unidos e que está começando a fincar raízes nos paladares cervejeiros brasileiros.

Depois de tomar essa versão da Del Borgo para a Etrusca, fica a vontade de fazer uma degustação com as três versões lado a lado para ver quais seriam de fato as diferenças entre as fermentações em terracota, bronze e carvalho.

Vamos aguardar e ver o que a Wäls vai fermentar nas ânforas dela.

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